CINEPOESIA

salette tavares

Este ano, o Festival PLAY inspira-se na obra de Salette Tavares (1922–1994) foi uma das figuras mais inovadoras e intelectualmente marcantes da poesia experimental portuguesa. Nascida na colónia portuguesa de Moçambique, vem para Portugal aos 11 anos.

«Com poucos brinquedos, tudo era brinquedo, folhas, frutos, gafanhotos, terra, lata e até nada... E este nada é importantíssimo. Bastava a palavra que se coisificava. Era tão fácil jogar com ela como jogar à bola.»

Estudou Filosofia e Estética, tendo desenvolvido uma obra que alia rigor conceptual e liberdade criativa. Participou nos históricos Cadernos de Poesia Experimental com António Aragão, Herberto Helder, Ernesto Melo e outros, explorando a palavra como jogo, som, imagem e objeto.

A sua poesia cruza técnicas como tipografia, serigrafia e escultura, e recorre a materiais tão diversos como madeira, cerâmica ou cristal. O poema visual “Aranha” é um exemplo icónico: as palavras desenham o corpo do animal, misturando leitura, som e forma, e mostrando como a linguagem pode ser brincadeira e invenção.

Apesar de ser uma referência para artistas e estudiosos, Salette Tavares começa agora a ser redescoberta por um público mais vasto.  A editora Tigre de Papel, está a publicar inéditos como Sintra no Jardim da Esmeralda, Outro Outro, O Kágado e Irrar, e reeditou obras fundamentais como Lex Icon e 14563 Letras de Pedro Sete. Foi também publicada recentemente um grosso volume pela Imprensa Nacional Casa da Moeda (Obra Poética - 1953 - 1994) e a Tigre de Papel publicou uma Antologia da autora.

A obra de Salette revela que brincar com as palavras é também uma forma séria de pensar, criar e transformar o quotidiano em poesia.